Sobre a minha depressão

Ela chegou em meados de Janeiro. No final, mais especificamente. Eu me sentia despedaçada, primeiro porque minha relação com meu pai não ia bem, segundo porque logo meu namorado (e até então único amigo), iria embora.

E foi. Tudo piorou, eu sentia falta dos dois homens da minha vida. Sentia falta de conversar sobre o universo, as teorias e jogos com meu pai e falta dos abraços e beijos do meu namorado. Sentia falta do carinho paterno, sentia falta do aconchego que encontrava nos braços do meu amor.
Não estudava, não trabalhava, não fazia nada produtivo. Vivia para agradar as pessoas que eu amava, mas não foi o bastante. Meu pai achava o dinheiro mais importante do que o meu amor, e meu namorado achava que qualquer coisa a fazer era mais interessante que estar comigo. Ela piorou, piorou, piorou… em março eu não aguentei mais.

Estava à mercê dela, fazendo tudo que ela me mandava fazer durante o dia. A única coisa que me salvava dela era meu namorado, que me tirava do “transe”. Até que ele se tornou o mais motivo para ela voltar. E então, todas as noites eu tinha medo de dormir, e todas as manhãs eu tinha medo de acordar. Orava todos os dias para que fosse só um sonho, mas nunca era. Eu chorei todos os dias durante um mês, tive medo, me submeti a coisas inúteis. Um mês.

Foi esse o tempo. O último mês de namoro, e o primeiro aguentando tudo sozinha, finalmente.

Eu achei que ia ser muito difícil, e até foi. Foi difícil perder alguém que eu amava, foi difícil aceitar que agora era apenas eu, que não deveria usar aliança, nem tampouco o colar. Que não teria alguém para dar bom dia, nem ninguém para mandar o áudio de boa noite. Não existia ninguém para quem eu pudesse falar “hoje meu irmão tá foda, não to aguentando”. Não existia. Em uma semana, eu descobri Deus. Em um mês, eu descobri eu. Alguns dias a mais e eu descobri alguns amigos. Enfim, eu vi que era difícil, mas era muito mais fácil do que antes. Eu havia colocado todas minhas forças e esperanças no “restaurar” de um relacionamento que já havia acabado, e só eu não via. Machuquei toda minha família, deixei estragos por onde passei, por estar cega por uma única pessoa. Era mais fácil estar sem ele, porque eu me esforçava demais para mantê-lo perto de mim, mas não deve ser assim. Não deve existir esforço para alguém ficar conosco, deve ser por livre e espontânea vontade.

Logo comecei a resolver meus problemas, família, amigos, faculdade. Vida que segue. Percebi que quando dividia meus esforços, tudo era mais fácil. Ele disse que um dia eu veria que aquilo era para o meu bem, eu negava até a morte. Mas foi. Não porque “era o melhor para mim”, mas porque ele era tóxico. Ele poluía minha mente e os meus sentimentos. Obrigada por me mostrar como eu estava errada em insistir em ti e por me mostrar o quanto uma pessoa pode se tornar um monstro. Porque eu me tornei, por tua culpa.
Quando eu percebi o porquê ela me acompanhava, foi mais fácil me desvincular dela. Certo dia, ela ultrapassou na minha frente, me abanando a mão. Finalmente, eu pude dar adeus a ela.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *