Relatos de uma menina com bom coração: ipse procul reconditus

Já sentiu o subconsciente implorando ajuda? Já evitou tanto sentir que tua mente sobrecarregou, fazendo-te sonhar todos os dias com teus maiores anseios, para finalmente seguir? Já sentiu o breu? Já se sentiu sozinho perto de uma multidão, com amigos perto? Já experimentou a ansiedade de não saber o que fazer? Já sentiu culpa por querer justamente o que não pode ter? Já sentiu que tua mente não consegue processar tudo que aconteceu, e então tu não consegues acreditar?

Eu já. Mas espero que tu não.

Pode sentar, pegue uma bebida quente se quiser se aquecer, agora vou te contar o que meu subconsciente me força a lembrar.

Tudo bem? Como anda? Eu vou falar hoje sobre um dos meus sonhos.

Não lembro onde. Não lembro quando. Não lembro como, nem porquê. Eu sinto que conheço todo o sonho, mas tenho apenas um pequeno flashback:

Ele está sem camisa, eu também. Por algum motivo, estamos abraçados, de lado, formando um L, sabe? Minha cabeça está no ombro dele, eu estou paralisada, apenas sentindo. Ele está fazendo carinho no meu ombro, tal como está gravado em um vídeo, de tantos outros, salvo no meu HD. “O que foi que eu fiz (apelido* que usávamos)?” ele perguntou, olhou pro lado e fez menção de chorar. Eu não respondi… não lembro ao certo se ouve um pedido de desculpa, mas eu sinto que sim.

*eu não lembro o apelido ao certo, algo como “minha …” denguinha, bebezinha, gatinha, tem vários. Encaixe o que achar melhor.

O sonho acabou.

O que tu fez? O que eu fiz? O que nós fizemos?

Eu sinto teu pedido de socorro, mas por que não me deixa ajudar? Por que me afastou assim? Eu tento tanto não pensar nisso, nem achar resposta, e quando me sinto melhor finalmente, meu subconsciente me obriga a lembrar de como eu queria isso, de como eu sinto falta do “gurizinho” que tu costumava ser. Tu prendeu meu gurizinho numa jaula, e me obrigou a nunca mais ter o orgulho de tê-lo ao meu lado. Enquanto eu tento enterrar ele na minha memória, ele me pede ajuda.

Existiria ainda uma conexão tão grande dos nossos interiores, ou é mais uma das milhares de situações que criei para não me desvincular do que sinto?

As memórias sempre voltam. Daquela típica ansiedade: borboletas no estômago, da saudade boa, de como o coração ficava aquecido. Já deu valor a esses momentos? Eles não voltam, mas a memória deles… sempre retorna. E nunca será a mesma sensação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *